Selo-Moeda no Programa Trato Feito

Ontem o programa Trato Feito, exibido no Brasil pelo Canal History, mostrou no episódio 31 da 2ª Temporada, um sujeito tentando vender um selo de 3 cents emitido em 1861, com a efígie de George Washington dentro de uma cápsula de latão. No verso da parte metálica haviam alguns dizeres em alto-relevo.

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O dono da peça não sabia do se tratava. Rick olha com uma lupa tentando entender o que tinha em mãos. Como Rick admite não entender muito sobre selos postais, chamou um expert para avaliar o valor e a autenticidade da peça; no caso é um leiloeiro especializado em história americana. Farei acréscimos pessoais, pois a explicação foi muito rápida.    

O especialista diz que se trata de um selo-moeda de 1862. A cédula de menor valor dos confederados era de 5 dólares, mas as pessoas tinham que comprar o pão de 3 cents, o jornal de 1 cent e o litro de leite de 5 cents. Como resolver isto, visto que o ouro e a prata para cunhar moedas eram escassos ? 

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Enquanto o Congresso decidia o que fazer, as pessoas usavam selos em suas compras. Esta seria uma decisão melhor do que fracionar cédulas. O comércio até aceitava selos de bom grado, mas eram papéis pequenos e frágeis, além disso o correio não trocava um selo danificado por outro novo.

Em 1862, John Gault, um empresário de Nova York, apresentou a melhor proposta: encapsular selos postais. Em 12 de agosto de 1862, Gault a patente para seu invento que utilizava uma arrebitadeira para fechar o corpo do botão, sendo que a parte da frente tinha um pedaço de mica transparente e o verso poderia conter algum tipo de propaganda. Gault vendeu o espaço de propaganda para 31 comerciantes diferentes por 5 cents. Sendo assim, ele tinha um lucro de 2 cents por cada selo-moeda. Eis a prova de impressão de um selo que tinha por finalidade o encapsulamento:

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O especialista do Rick explicou que estes selos-moedas eram muito escassos e que a peça trazida pelo vendedor esta em muito bom estado de conservação. Pelo fato do verso da peça ter a propaganda do “chapeleiro White” que não era a mais comum, ele disse que alcançaria entre U$ 4.000 e U$ 6.000. O cara saiu pedindo 4.500 e, após aquele tradicional “choro”, o negócio foi fechado por U$ 2.300. 

Outros países em diferentes períodos se utilizaram do expediente do selo-moeda para troco no comércio, inclusive com inclusão de anúncios comerciais e até existe um catálogo especializado sobre o assunto.

Agora faço 2 apontamentos de interesse filatélico, que são pessoais (e ninguém tem que concordar com minha opinião):

– O programa passa uma noção errada entre expertizar um objeto quanto à sua autenticidade e avaliar o valor de mercado, pois estas são atividades distintas.

– Fica claro que estes selos-moedas não tinham a função de postar um selo de correio, mas de servir como troco. Sendo assim, estas peças não cabem em uma coleção filatélica, principalmente se for expositiva, mesmo que autorizado, pois estas peças tiveram função enquanto dinheiro. Sendo assim são peças que cabem numa coleção numismática, mas não vejo da mesma forma enquanto peças filatélicas.

Marcos Boaventura

É formado em Psicologia pela PUC-MG. Possui Pós-Graduação em Metodologia do Ensino Superior, Docência do Ensino Superior, Psicologia do Trânsito e Acupuntura. Marcos começou a colecionar selos por influência de seu pai. É discípulo do filatelista Álvaro de Carvalho. Boaventura é jornalista filatélico, tendo atuado como secretário da ABRAJOF (Nº 266) e Diretor de Eventos da Câmara Brasileira de Filatelia (CBF). Participou da Comissão Organizadora nas exposições: DIAMANTINA-1993, INTERCLUBES-1994, VILA RICA-2005 e BH-100. Atuou como comissário em várias exposições nacionais. Obteve medalha de prata grande na PHILEXFRANCE-1989 e medalha de vermeil grande na BH-100. É Suplentes do Conselho Fiscal da atual diretoria da Febraf.

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